Início Notícia China e Estados Unidos assinam primeira fase de acordo comercial

China e Estados Unidos assinam primeira fase de acordo comercial

A China e os Estados Unidos assinam nesta quarta-feira (15) um acordo parcial para ultrapassar as disputas comerciais entre os dois países após meses de uma crise que abalou a economia mundial. A cerimônia de assinatura acontece na Casa Branca com membros do governo americano e chinês.

O documento, chamado de “acordo de primeira fase”, é o resultado de um compromisso limitado entre Washington e Pequim, no momento em que os dois países temem as consequências econômicas e financeiras de uma prolongada guerra comercial.

Segundo o acordo, a China se compromete a importar um total de US$ 200 bilhões (180 bilhões de euros) em bens dos Estados Unidos, incluindo produtos agrícolas, para reduzir o déficit comercial entre os dois países.

Ao mesmo tempo, Pequim se compromete a não manipular o valor da moeda ou a proteger a propriedade intelectual das empresas norte-americanas, em troca de uma suspensão parcial das taxas alfandegárias impostas por Washington sobre bens importados da China.

No entanto, o acordo não anula a maior parte das taxas punitivas impostas pelos EUA sobre US$ 360 bilhões (323 bilhões de euros) de produtos importados da China e exclui reformas profundas no sistema econômico chinês, incluindo a atribuição de subsídios às empresas domésticas, enquanto as protege da competição externa.

Os Estados Unidos vão assim manter taxas alfandegárias adicionais de 25% sobre US$ 250 bilhões (quase 225 bilhões de euros) de bens importados da China e de 7,5% sobre mais US$ 120 bilhões (quase 110 bilhões de euros).

Também é improvável que a assinatura do documento suspenda a rivalidade estratégica entre as duas potências, que aumentou durante a presidência de Donald Trump e se estendeu a assuntos de defesa e de alta tecnologia, incluindo redes de telecomunicações de quinta geração (5G) ou a inteligência artificial.

“A assinatura dessa trégua, apesar de ser bem-vinda, não muda a realidade de que os dois países estão em posições cada vez mais antagônicas”, observou a analista da unidade de investigação Rand Corporation Ali Wyne, citada pelo jornal Financial Times.

“Washington considera a ascensão econômica de Pequim uma ameaça à segurança do país e à dos aliados e parceiros. Enquanto isso, Pequim considera como fundamentais a aceleração da inovação local e a abertura de mercados de exportação alternativos”, afirmou.

Na pauta está o plano “Made in China 2025”, que visa a transformar as empresas estatais chinesas em potências tecnológicas, com capacidade em setores de alto valor agregado, como inteligência artificial, energia renovável, robótica e carros elétricos. Washington considera que o plano viola os compromissos assumidos por Pequim na abertura do mercado.

O governo chinês quer uma eliminação mais rápida das taxas alfandegárias após o acordo, mas a administração norte-americana resistiu, numa tentativa de garantir que a China respeitará os compromissos. Trump sugeriu que uma segunda fase das negociações seja deixada para depois das eleições presidenciais nos EUA, em novembro de 2020.

Na véspera da assinatura do acordo, o Departamento do Tesouro norte-americano retirou a designação da China como país manipulador de moeda, implementada quando as tensões aumentaram em agosto passado. O anúncio foi feito exatamente quando o vice-primeiro-ministro, chinês Liu He, encarregado dos assuntos econômicos, desembarcou em Washington.

As autoridades norte-americanas têm ainda alterado a retórica sobre a China, adotando um tom mais conciliador. O encarregado de negociar o acordo com a China, Robert Lighthizer, disse, em entrevista, que o objetivo não é dissociar as duas economias, mas reescrever “as regras”, para que funcionem para ambos os países.

“As pessoas podem falar à vontade, que não me incomodam. Eu acho que o presidente tem uma visão. Ele nos fez trabalhar arduamente e demos um grande passo”, garantiu.

*Com informações da Agência Brasil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Must Read

Guedes diz que começa a enviar reforma tributária ao Congresso em 2 ou 3 semanas

Assim que voltar da Suíça ao Brasil e o Congresso retomar suas atividades, o governo enviará suas primeiras propostas de reforma tributária para o...

Prefeitura suspende Paulista Aberta no aniversário de SP

A Prefeitura de São Paulo publicou uma portaria no Diário Oficial desta quinta-feira (23) que suspende o funcionamento do programa Ruas Abertas na Avenida Paulista neste...

Oprah diz que apoia ‘1000%’ decisão de Harry e Meghan

Diante de críticas sobre a decisão do príncipe Harry e da mulher Meghan Markle de deixarem a família real, Oprah Winfrey se colocou do lado do casal. Em...

OMS diz que ‘ainda é cedo’ para declarar emergência por coronavírus

A comissão especial da Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou nesta quinta-feira (23) que considera que “ainda é cedo” para declarar emergência...

Governo pretende mudar período usado para corrigir salário mínimo

O projeto de lei com a nova política de correção do salário mínimo vai incluir uma mudança no período usado para definir os reajustes....

Selecione uma estação Wind